Hoje cedo o correio me enviou uma grande caixa, abri e nela continha desenhos, textos, atividades escolares que fiz na infância.
A principio gostei de rever a inocência das pinturas, a sutileza dos rabiscos e a veracidade das cartinhas enviadas aos pais em datas comemorativas. Após algumas bisbilhotadas uma imensa tristeza me dominou, eram inevitáveis as lágrimas nos olhos ainda inchados da noite mal dormida, aquelas lembranças me deram comparações com dias atuais e dor no peito era imensurável.
Deu saudade de quando minha única preocupação era decidir com que cor pintar o desenho ou com que laço enfeitar os longos cabelos.
As dores mais intensas que vivenciei naqueles tempos, era aqueles leves tapas quase imperceptíveis que me faziam chorar desesperadamente, hoje meus choros são silenciosos e de grande tristeza, normalmente causados por frases ou palavras mal pensadas que se direcionem a mim.
Naquela época risonha e de brincadeiras, quedas eram resolvidas com remédios e receitinhas caseiras, hoje os tombos são solucionados com tentativas às vezes frustradas de levantar, ocasionando outras quedas, e talvez (sendo pouco otimista), um meio para aprender a não cair naquela mesma maneira.
Antes, apenas rabiscos, desenhos mal pintados, um sorriso direcionado com sutileza, já eram motivo para abraços calorosos, beijos doces. Hoje, parece que nenhuma tentativa mesmo que grande é percebida, como se nada houvesse valor suficiente para reconhecimento.
Isso me fez indagar por que as pessoas grandes querem sempre mais, por que nada é suficientemente agradável à elas? Talvez elas desenhem na mente, um padrão que na verdade não existe, um objetivo ‘impecil’ e inalcançável.
As pessoas grandes esquecem suas verdade, para poder atingir o topo, só se esquecem que o mais brilhante é o trajeto percorrido, não a linha de chegada!
[M.Goper]
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